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Sobre o meu livro de cabeceira: os dentes da delicadeza.

Poesia, quando te toca, precisa ser relida, metabolizada, sentida. O autor: Everton Behenck tem a capacidade intrínseca de falar ao singular. Segundo minha interpretação de seus poemas, existe uma constante luta pra acreditar na doçura, no amor, na delicadeza, no apaixonamento pela vida…mas inexoravelmente o sonho se torna o real, e se dilui na truculência do cotidiano. Encontro em seus poemas essa alquimia de experiências emocionais, de significados que não se esgotam e permitem novas reinterpretações.
Marcelino Freire em seu blog eraOdito elabora uma análise perfeita: Everton Behenck
Veio para ficar. Assim como já está o Carpinejar. Há tempo, na estrada. Ambos têm a mesma pegada. Poesia simples. Derramada na medida certa. Desmedida e sincera. Uma voz em festa. Sei lá. Não é à toa que quem assina a orelha do livro do Behenck é o Carpinejar. Que reconhece no amigo a grandeza do Vinícius. Sem exagero. Everton chega certeiro. No seu ritmo conquistador. Nos seus cortes. Como quem polda. Uma rosa ou uma ferida. Com uma tesoura só. Rara e afiada. Que maravilha de palavra!

Deve haver
Algo de doce

Nessa tortura
Íntima

Que imponho

Ao passo
Fraturado

Deve existir
Algo de tênue

Nos cacos pontiagudos
Do sono ausente

Deve haver
Algo de sereno

Na taquicardia
Na ironia de ter sobrevivido

À minha vontade
De nunca ter sido

Deve haver
Algo de infinito

Nos ensaios de suicídio

Foto do Art or Porn – You decide

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