“unless it comes unasked out of your heart and your mind and your mouth and your gut, don’t do it.” “unless it comes unasked out of your heart and your mind and your mouth and your gut, don’t do it.”

Reencontrar Bukowski é sempre oscilar visceralmente, entre a tristeza e a alegria, né?

Na minhas divagações sem rumo pela Web, achei essa breve e perspicaz análise, feita por Ivan Pinheiro Machado, sobre este poeta que ultrapassa as fronteiras de seu tempo:

Bukowski conquistou a admiração dos jovens de várias gerações; daqueles que são jovens há muito tempo e daqueles que são jovens recentemente. Esta permanência no coração dos leitores se deve a uma obra descarnada, sobre a qual paira a irresistível aura de transgressão. Há malucos que se tornam santos com o passar do tempo como Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Artaud, Thoureau, Kerouac, Bukowski, entre dezenas de outros. E esta maravilhosa capacidade da juventude de cultuar aqueles que descarrilham dos trilhos do sistema transforma artistas marginalizados em clássicos. Desde que morreu, em 1994, a obra de Heinrich Karl Bukowski, dito Charles Bukowski, tem corrido o mundo. O bêbado inconveniente capaz de performances desastrosas, completamente embriagado em frente às câmeras da TV, passou a ser respeitado.

Bukowski não perdoa, não alivia. É sempre violento, irreverente, não tem nenhuma ilusão. Ele é uma alternativa ao mundo idealizado que virou moda depois da vitória final da civilização do dinheiro e da globalização. Bukowski escancara o lado sombrio da nossa sociedade. Ele levanta o tapete e mostra a sujeira. É a voz dos desvalidos, dos perdedores, dos desempregados, dos doentes, dos falidos, dos feios, das putas, dos bêbados. Não tem nenhum charme, mas a violência que jorra das suas páginas é tão verdadeira que não tem como ficar indiferente.

É linda e mobilizadora a leitura Tom O’Bedlam. Vejam, abaixo:

“então você quer ser um escritor

se não vir estourando de você
apesar de tudo,
não escreva.
a menos que isso saia de você sem permissão
do seu coração, da sua mente, e da sua boca
e seu âmago,
não escreva.
se você tem que se sentar por horas
olhando para a tela do computador
ou debruçado sobre o sua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não escreva.
se você está fazendo isso por dinheiro ou
fama,
não escreva.
se você está fazendo isso porque quer
mulheres em sua cama,
não escreva.
se você tem que sentar lá e
reescrever de novo e de novo,
não escreva.
se é duro trabalhar pensando em como escrever,
não escreva.
se você está tentando escrever como alguém
como outro,
desista.

se você tem que esperar para que isso saia como um rugido
de você,
então espere pacientemente.
se esse rugido nunca sair,
faça outra coisa.

se você, primeiro, tem que ler a sua esposa
ou sua namorada ou seu namorado
ou seus pais ou a quem quer que seja,
você não está pronto.

não seja como tantos escritores,
não seja como tantos milhares de
pessoas que se dizem escritores,
não seja maçante e chato e
pretensioso, não seja consumido pelo
amor próprio.
as bibliotecas do mundo têm
bocejado a
dormir
sobre o seu tipo.
não seja mais um.
não escreva.
a não ser que saia da
sua alma como um foguete,
a não ser que isso faça-o
levar à loucura ou
suicídio ou assassinato,
não escreva.
a menos que o Sol dentro de você
queima seu âmago,
não escreva.

quando for realmente o tempo,
e se você for escolhido,
ele irá fazê-lo por
si e vai continuar a fazê-lo
até que você morra ou ele morre em você.

não há outra maneira.

e nunca houve.”

(Charles Bukowski)

O Poema possibilita um atravessamento de emoções com este trecho de Kerouac:

‎[…] porque, para mim, pessoas que me interessam, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns mas queimam, queimam, queimam, como fabulosos fogos de artifício, explodindo como constelações em cujo centro fervilhante se pode ver um brilho intenso. (Jack Kerouac)

A foto é da Raining.fm, que eu super indico pra um relax com muita chuva.

Imperitos Na Arte De Amar? Vertigem Offline Imperitos Na Arte De Amar? Vertigem Offline

Flanando pela web, encontrei no Blog das 3o pessoas, o texto Thoothpaste Kisses que é uma espécie de apologia do mundo offline.

O autor, de forma lúdica e romântica, faz lembrar de como a internet pode ter o efeito paradoxal de aproximar as pessoas, mas ao mesmo tempo produzir um distanciamento da vida.

Será que as mídias sociais inventaram um novo tipo de subjetividade nos relacionamentos? “Estamos tão Ultra conectados em e-mails, mensagens de texto e de voz; cutucadas (coisa insuportável), prods e tuites; alertas e comentários; links, tags e posts; fotos e vídeos; sites, blogs e vlogs; buscas, downloads, uploads, arquivos e pastas; feeds e filtros; murais, widgets, clounds; nomes de usuário, senhas e códigos de acesso; pop-ups e banners; rigtones e vibrações; aplicativos e check-in… Ufa! Não é hora de fazer um check-out?” Estas indagações merecem ser melhor metabolizadas, mas isto eu vou deixar pra um próximo post!? : )

Vamos pra este lindo mergulho no offline. Por Rodrigo Artur:

Mime a sua amada!

Com todo tipo esdrúxulo de carinho, que sejam as ridículas cartas de amor, o recados em Imessages, whatsapp e ICQs. E-mails old fashions, telefonemas acalorados com sorrisos fáceis brilhantes com o sol, daqueles de fazer inveja a produtores de comerciais de pasta de dentes. Que seja em horários improváveis, desde que escancarem a sua felicidade dependente da existência daquele outro. Quando ela ligar, mude a voz, use aquele timbre que somente os apaixonados decifram. Dedique músicas, monte coletâneas, eleja conjuntamente a trilha sonora do romance. Use nomes em diminutivos, a chame de amor, deixe claro o quanto ela é especial.

Diga breguices…que a AMA!

Quando encontrá-la embale, dê colo, beije, beije, beije como se fosse o último, morda, chupe, deixe marcas pelo seu corpo, afinal não é isso que os amantes fervorosos fazem, vá além, esqueça o sono, extrapole, não durma e nem a deixe dormir, não economize saliva e outros líquidos corporais. Não durma, nem depois do coito, conte histórias engraçadas, zombe dos mal amados, dos anteriores, sim, daqueles imperitos na arte do amar.

Faça de tudo para que seja DIVINO!

Foto de Eva Besnyö via don’t touch my moleskine

Sobre Incertezas Sobre Incertezas

“ausência e peso líquido” por Paulo Scott:

Onde guardar o rumo lógico dos dias da semana? Onde guardar o senso de preservação e o senso da dúvida? Onde guardar as viagens com as quais não se ganha nada e o amor brigando com o silêncio? Não falar em amor se você quiser o status de artista que entende uma barbaridade de amor. Onde guardar os amigos que vão se embrutecendo ou virando gincana? Onde guardar os que te condenam e as enfermidades que foram superadas? Onde guardar os trajetos mais práticos para se chegar ao posto do correio da voluntários da pátria e ao banco do brasil enquanto se arrasta dois carrinhos de supermercado e a familiaridade das outras tarefas urgentes? Fugir das pessoas por causa desse receio compulsório de lhes trazer o mal. Essa ilha crescendo nos convites. Onde guardar os momentos em que apenas se é condenavelmente generoso e atencioso (generosidade não se deve mostrar)? Onde guardar essa idade e a carcaça de seus pássaros mortos? Escrever sobre a intimidade justo por não entendê-la, na verdade escrever sobre posições vertebrais, sobre a mecânica das naturalidades gaúchas e respirar subtraindo talvez e portanto; no fundo: essa dívida, essa companhia que há mais de trinta e cinco anos me tira os domingos e que hoje parece mais claro é parte importante dos procedimentos de alegria quando se quer voltar no tempo que tanto pedi e não herdei.

Do sanduíche de anzóis

Foto de Robert e Shana ParkeHarrison.