Desenhando Palavras Desenhando Palavras

Para Cris Lisbôa, “pensar no papel” é pulsão de vida que inspira e expira, através dos signos da linguagem, novas invenções de si mesmo.

Ela nos instiga, com sua poesia e representações imagéticas, a sentir mais intensamente o cotidiano, e a buscar de volta os nossos sonhos. E ainda, criou um curso de escrita criativa lindo, chamado “Go, Writers”, no qual compartilha toda esta sua especial “leveza do ser” e da arte de escrever.

“Tempo, tempo mano velho. Envelhecer tem sido uma epifania. Uma boniteza, uma calma, uma preguiça de urgências, corridas, descompassos, mapas. Compreende-se candura, desapego, o valor de um não e as tardes chuvosas em que falta luz. Alargam-se as estantes, o coração esparrama um pouco pelas frestras das cicatrizes. Estas, se acomodam melhor. Procura-se menos. Mas ainda é possível sair sem grana e voltar bêbado, deixar o coração em casa e volver apaixonado. Envelhecer não cansa, expande, apavora, enaltece. E cada um de nós invariavelmente se transforma exatamente no que é. ” Cris Lisboa

“Frases grifadas em livros significam suspiros, mudanças imediatas de ponto de vista, sonhos novos, sombra na estrada. Respeito quem não ousa macular páginas pero a mi, me encanta.”

“Escreva sobre o que te dá medo, sobre o que te dá vergonha, sobre o que você ama. Escreva sem julgar, escreva sobre os outros. Escute conversas alheias, mesmo se as pessoas te parecerem estranhas. Ande de ônibus e de metrô e observe tudo. Lide com pessoas de diferentes profissões e idades. Não fique cercado por pessoas que tem a sua idade e fazem a mesma coisa que você. Aliás, fuja delas.” Pedro Almodóvar

“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.”

Antonio Cícero

“Antes de começar a escrever você precisa dançar na chuva”.

“Tudo, aqui, imenso. * cartaz do muso Felipe Morozini.”

“Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece. E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel
Quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?” Paulo Leminski

“Que tudo seja sempre novo para os meus velhos olhos. Amém.”

“E, se enlouquecer, se apaixone.”

Noite de sexta, feriado e, como diria Quintana: “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.”

“Tenha medo de quem tem só medo. Se afaste de quem tem apenas coragem. Ambos não tem história nenhuma pra contar.”

“Bebo ilusões em taças e desaconselho recomeços, abandonos e samba a dois. O frio corta os lábios e o sangue que escorre tem gosto de argentinos pirulitos gigantes. Lambo. Teclo devagar usando somente a ponta dos dedos. Desisto de mentir. E abro a caixa de Pandora. Só pra ter o que fazer.” Cris Lisbôa

“Hoje, diante da página em branco podemos fazer um único pedido:”

Leiam a coluna de Cris Lisbôa na Noize. Mais doses de inpirações aqui.

P.S. So Many Ways To Love The Black Keys P.S. So Many Ways To Love The Black Keys

Dan Auerbach e Patrick Carney fazem do “Black Keys” um dos maiores nomes do rock atual. A dupla produz discos impecáveis, que esbanjam blues, em álbuns em que cada faixa arranca um novo riff mais eletrizante que o anterior. A voz de Auerbach, “predominantemente em registo de falsete, permite sobreposições de sonoridades, tanto no domínio de Jimmy Hendrix, como em baladas com batidas mais espaçadas, balanceadas, trémulo melancólico na voz e peculiares apontamentos na guitarra vintage”, que tornam sua performances energéticas e emocionantes.

Além disso, os cartazes dos shows são bárbaros, acompanhando esteticamente o aprimoramento sonoro da banda.

Ouçam e vejam abaixo: (creio que “Brothers” tenha sido um dos álbuns que eu mais ouvi entre 2010 e 2011).

Achei a dica sobre os pôsters na Noize.

Leia aqui a discografia comentada da banda.

Old School Mix Tapes- Sobreposição De Sonoridades Lindas Old School Mix Tapes- Sobreposição De Sonoridades Lindas

Que tal uma fita de super bom gosto, pra fluir os dias e a vida?

Vejam o repertório:

O Verde é Maravilha – Badi Assad
Basin Street Blues – Dave Brubeck
Quartet Adam’s Apple – Wayne Shorter
Blackjack – Donald Byrd
Everyday People – Sly & The Family Stone
Sambop – Cannonball Adderley
We’re a winner – Curtis Mayfield
High Head Blues – The Black Crowes
Ease Back – Grant Green
She’s a Rainbow – The Rolling Stones
Ain’t That Lovin’ You – Eric Clapton
Valdez In The Country – Cold Blood
Wait Until Tomorrow – Jimi Hendrix
Smokey Joe’s La La – Googie Rene Combo
All I Want – Pete Belasco
Run eyed blues – Ben Harper
Mercy Mercy – Cannonball Adderley
That’s The Way – Led Zeppelin
Janela – Nina Becker
Enquanto Isso – Marisa Monte
Sun King – The Beatles

Então é só fazer o download de “Super Fine”.

O Fita Cassete é um blog de compilações pessoais de Marcelo Quinan, que dá vontade de voltar no passado e gravar as fitas K7 pra dar de presente para os amigos. ♥

Foto: Reprodução

Voz e guitarra, palavra e som Voz e guitarra, palavra e som

A voz é de Ana Deus, a guitarra é de Alexandre Soares. Os dois, são os Osso Vaidoso, um projeto musical alternativo que é também um projeto poético, uma ideia musicada sobre as palavras de Regina Guimarães, Alberto Pimenta e Valter Hugo Mãe, entre outros.

“Com o disco de estreia, Animal, com selo da Optimus Discos, os Osso Vaidoso ganharam corpo e entraram diretamente para um lugar de destaque na música portuguesa”.

Vejam, que lindo:

Encontrei no bodyspace.

Hammock – “êxtase e epifania” Hammock – “êxtase e epifania”

Departure Songs, quinto disco e o primeiro álbum duplo do Hammock, é mais um de seus trabalhos arrebatadores. Uma espécie de conexão intimista, que conduz o ouvinte pra um estado meditativo e pra vivências de um universo de luzes e sombras.

Uma penumbra lisérgica que produz um transbordamento de emoções, que dá pra sentir nessas quatro faixas disponibilizadas no bandcamp.

Eu já fiz minha declaração de amor pelo Hammock aqui, mas encontrei este texto de James Mason que apreende inteiramente a sonoridade da banda e de seu novo álbum. Pensei em traduzi-lo, contudo não me senti autorizada a significar, o que o autor é capaz de representar.

“About Departure Songs:

Hammock go massive as they meditate on grand themes of death and loss, their music ever larger, more expansive. Every song a mountaintop vista with a clear view to the horizon, unencumbered by clouds, in all directions. Departure Songs demands that it be played loudly so that the details in each track can breathe, whether it is the androgynous, falsetto vocals of Marc Byrd or the angelic voice of Christine Glass Byrd or just a little bit of guitar in the background, this record is nuanced in a most compelling fashion. The arrangements beg to be picked apart – soaring guitars, propulsive bass, and hypnotic strings. The vocals work wonderfully as an instrument, but when the words finally become understandable, they cause shivers.

Departure Songs is an album about being there and not being there. And how it feels to both be there and have someone else not be there. Presence and absence. Love and grief. Hammock’s music has always been a balm for troubled hearts in troubled times – and here the troubled times are their own. This is intensely personal music, and we are lucky that Hammock will let us listen in.

Not as fragile as previous efforts, Departure Songs shows a more mature songwriting, more assured production, a fuller approach to crafting music. Hammock retains its signature approach to epic music-making, but this time out, herald their muse in all capital letters, with cinematic crescendos and an architect’s ear for structure both within a song and as a sequence of songs. The quiet, more ambient tracks act as both underline and counterbalance to the bigger tracks.

Hammock’s greatest success as musicians is to make music that is, at its heart, completely the saddest music ever made but expressed in a manner that is ecstatic. This is what makes Hammock special – ecstasy through exquisite sadness. Epiphany. – Words by James Mason


O vídeo de Tape Recorder, dirigido por David Altobelli é lindo. Veja abaixo:

E como sempre, meu amigo Jaime do Warehouse Songs and Stories vai me ensinando os caminhos.

Exit Through The Gift Shop de Bansky Na Íntegra Exit Through The Gift Shop de Bansky Na Íntegra

Um documentário fascinante que instiga a reflexão e o debate sobre a arte contemporânea: um must see.

Adrenalina, anos de filmagem de “Thierry Guetta” e milhares de horas de material compilados sobre intervenção urbana e street art. Um recorte histórico em que subliminarmente Bansky passa a mensagem de que, pouco a pouco, a street art torna-se oficial e institucional.

Sátira, paródia, crítica, construção e desconstrução de vínculos, em um brilhante documentário performático, no qual Bansky, mais uma vez, assina sua obra, mas nega vinculá-la a um rosto.

Um dos filmes mais importantes do novo século, senão “o” filme mais importante, “Exit Through the Gift Shop” foi lançado em 2010, indicado para o Oscar de Melhor Documentário, e pode ser assistido (com legendas em português) no vídeo abaixo“.

Reencontrei essa maravilha no Calmantes com Champagne 2.0

Back in 2000 – and dj, play a song for the lovers, tonight Back in 2000 – and dj, play a song for the lovers, tonight

Richard Ashcroft é o grande vocalista da banda “The Verve”, que com seus três álbuns ajudou a definir, juntamente com Oasis, Radiohead e Blur, o movimento Britpop que se estabeleceu no Reino Unido em meados da década de 90.

“A Song for the Lovers”, do ótimo disco “Alone With Everybody”, foi um megahit de 2000, que marcou a sua carreira solo. A canção foi inspirada no Joy Division, e seu título em um poema de Charles Bukowski.

Ashcroft é uma figura “shamânica” das clássicas estrelas do rock, que faz despertar nossos sentidos.

Wu Lyf – Pegada Densa E Irresistível Pra Iniciar A Semana Wu Lyf – Pegada Densa E Irresistível Pra Iniciar A Semana

Wu Lyf (se diz Woo Life, “World Unite Lucifer Youth Foundation”) é uma banda de Manchester, Inglaterra que gerou buzz em 2011, tanto pela sua sonoridade dark, quanto pelo mistério ao seu redor. Os caras rejeitavam entrevistas, e ofereciam pouquíssimas informações sobre seus integrantes. Aos poucos foram se desvelando, e se definiram através de um neologismo de classificação musical “heavy-pop”, que de pop não tem nada.

A banda (formada por Ellery Roberts, vocais, Joe Manning, bateria e piano, Evans Kati, vocais, guitarra e harmonica, e Tom McClung, vocais, baixo e guitarra), faz um som sujo, com vocal rouco que torna as letras difíceis de serem entendidas. A melodia tem uma pegada irresistível que vai te arrastando pra um denso e crescente envolvimento. Uma visceralidade romântica que te coloca na cena e te instiga a contestar o sistema, a burguesia e o ter. Enfim um experimentalismo sonoro místico, que me/te leva pra onde o Wu Lyf vai. ♥

Apaixonem-se:

Apenas, pra elucidar, a banda tem um álbum lançado, chamado Go Tell Fire to the Mountain, de 2011.